9 de Setembro de 2008 – 8:55 am
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Chegou o grande dia: vestido lindo, alianças de casamento escolhidas e repousando sobre uma exuberante almofadinha de cetim; padrinhos e madrinhas alinhados no altar; noivo nervoso; mães e pais roendo as últimas lembranças de unhas que ainda havia nos dedos. Enfim, o clima perfeito de um casamento.
Só faltava mesmo eu entrar na igreja e dar início à cerimônia. Não que eu gostasse de atrasar tudo só para fazer charme. Mas a minha dama de companhia; uma menininha linda que por mero acaso era minha irmã caçula entrara correndo pela sala da igreja onde eu me preparava com os últimos retoques e estabanadamente derrubou as alianças de casamento, a almofadinha e a própria colunata que as sustinham e as alianças simplesmente desaparecerem em meio aos móveis e utensílio que estavam espalhados por ali.
Foi um alvoroço só. Mandaram chamar o padre; pois seria necessário revirar tudo por ali para achar uma aliança ali. Havia muitos objetos da igreja e dos sacerdotes que freqüentavam o templo. Quem simplesmente desse uma olhada em torno da salinha ficaria chocado com o que via e que parecia mais uma orgia do que uma preparação para um casamento.
Todos estavam rastejando pelo chão procurando embaixo de móveis, instrumentos musicais, malas e muitos sacos que continham doações de fieis. Meu pai estava de pernas para o ar e procurava as minhas alianças de casamento como um louco embaixo de um enorme armário de carvalho. Meu tio e minha tia discutiam mais do que procuravam as alianças em meio daquele monte de sacos de doações. Tudo estava na mais perfeita bagunça. Mas, até o momento; nada de aliança de casamento. Eu apenas chorava e fuzilava com o olhar mais maquiavélico que eu tinha a minha irmã arteira e irresponsável que ria sem parar num canto da sala.
Volta e meia, minha mãe lançava um olhar mais maquiavélico ainda para ela e fazia algumas ameaças veladas e com uma voz quase inaudível. Estávamos em pânico. E, aquela pestinha, só rindo no canto da sala.
Foi quando minha mãe deu um grito e todos ficaram com a respiração em suspenso. Ela apontava para o ralo, perto da janela que dava para o corredor. Todos corremos para lá e olhando com atenção total, vimos claramente; bem lá no fundo, o brilho faiscante das alianças de casamento que tanto procurávamos. Agora era simples: bastava destampar o ralo, enfiar as mãos lá dentro e apanhar as alianças. Assim, o casamento que já estava atrasado um tempão; podia prosseguir.
Mas quem disse que seria tão fácil. O ralo tinha a tampa chumbada por causa de uma infestação de ratos que atacara a igreja há uns anos atrás. Seria necessário arrumar uma talhadeira e uma marreta para, com muita disposição, desprender a tampa e recuperar as alianças de casamento.
E assim foi feito. “Seu” Júlio, que morava perto da igreja, correu em casa e arrumou uma talhadeira e uma marreta. Assim, com muito esforço, meu pai conseguiu destapar o ralo e, enfiando a mão naquele ralo sujo, recuperar as minhas alianças de casamento. Todos rimos e comemoramos alegremente como se a própria cerimônia já tivesse sido realizada.
Então, depois de muito sufoco, o casamento pode prosseguir. E não é que a minha irmã desmiolada ainda tropeçou mais duas vezes durante a caminhada até o altar. Mas, desta vez, minha mãe tinha se precavido, e as alianças agora estavam presas por pontinhos de costura feitos na almofada.
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